Os astrônomos mapearam uma poderosa estrutura magnética dentro do sistema de galáxias em colisão Arp 220, localizado a 250 milhões de anos-luz da Terra. Esta descoberta oferece uma visão sem precedentes sobre as forças que impulsionam a intensa formação estelar e a ejeção de matéria a velocidades que chegam a 1,7 milhões de quilómetros por hora. A investigação, conduzida utilizando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), revela uma “superestrada magnética” que canaliza gás, poeira e energia através das galáxias em fusão.
A colisão e suas implicações
Arp 220 é um exemplo raro e próximo de galáxias infravermelhas ultraluminosas – sistemas que brilham com a luz combinada de 100 ou mais Vias Lácteas. Formou-se a partir da fusão de duas galáxias espirais e as suas densas nuvens de poeira escondem uma atividade extrema de formação de estrelas. Estudar Arp 220 é crucial porque reflete as condições das galáxias que existiam há mais de 10 mil milhões de anos atrás, quando o Universo era muito mais jovem e as colisões eram mais frequentes. Esta pesquisa ajuda os cientistas a reconstruir o crescimento caótico do universo primitivo.
Campos magnéticos como força motriz
As observações do ALMA mostram que os campos magnéticos não estão apenas presentes; eles lançam e moldam ativamente os poderosos ventos galácticos que escapam dos núcleos do Arp 220. Esses ventos, viajando a 1.500 vezes a velocidade do som, carregam gás, poeira, metais e raios cósmicos. Teorias anteriores atribuíam estes fluxos principalmente à formação de estrelas e à atividade dos buracos negros, mas os novos dados confirmam o magnetismo como um ator chave.
Os pesquisadores mapearam a orientação e a força dos campos magnéticos usando luz polarizada, revelando detalhes dentro dos núcleos envoltos em poeira e dos fluxos moleculares da galáxia. Uma característica marcante é a “superestrada magnética” – um canal quase vertical de gás magnetizado que flui para fora de um dos núcleos da galáxia.
Ordem Magnética no Caos
O núcleo ocidental do Arp 220 exibe uma estrutura magnética bem ordenada alinhada com o fluxo bipolar, indicando que o campo acelera o material que escapa. Entretanto, o núcleo oriental mostra um padrão magnético em forma de espiral dentro de um disco denso, sugerindo que a ordem magnética em grande escala pode sobreviver mesmo em fusões turbulentas.
Uma ponte de poeira altamente polarizada conecta os dois centros galácticos, canalizando material e fluxo magnético entre eles. Esta ligação enfatiza o papel do magnetismo na regulação do fluxo de matéria durante as colisões galácticas. Os campos magnéticos nestes fluxos são centenas a milhares de vezes mais fortes do que os encontrados na Via Láctea, influenciando a forma como o gás arrefece e forma novas estrelas.
Implicações do Universo Primitivo
Estas descobertas sugerem que campos magnéticos fortes e organizados eram comuns no Universo primitivo, especialmente em galáxias estelares. Ao moldar os ventos galácticos, o magnetismo provavelmente desempenhou um papel importante na determinação de quando as galáxias pararam de formar estrelas e como enriqueceram o espaço intergaláctico.
À medida que os astrónomos aplicam estas técnicas a sistemas mais distantes, esperam encontrar estradas magnéticas semelhantes em todo o cosmos. Arp 220 fornece um lembrete vívido de que forças invisíveis deixam uma marca duradoura no universo visível.
A descoberta ressalta o papel fundamental do magnetismo na evolução galáctica, oferecendo uma nova lente através da qual podemos compreender o passado e o futuro do universo.
