Sincronização de cérebros mãe-filho entre idiomas, descobriu estudo

6

Um novo estudo confirma que a ligação cerebral única entre mães e filhos persiste mesmo quando comunicam numa língua não nativa. Pesquisadores da Universidade de Nottingham encontraram sincronia neural significativa durante a brincadeira, independentemente de a dupla falar em sua primeira língua ou inglês. Isso significa que a conexão profunda no nível cerebral entre pais e filhos não depende da fluência linguística.

A Ciência da Sincronia Intercerebral

O fenômeno, denominado sincronia intercerebral, descreve a atividade simultânea em redes neurais entre pessoas interagindo. É observada numa ampla gama de atividades sociais – desde o trabalho colaborativo até cantar juntos – e está ligada a laços mais fortes e a uma comunicação mais eficaz.
O estudo centrou-se em famílias bilingues, um grupo pouco estudado em neurociências, apesar dos comprovados benefícios cognitivos do bilinguismo: melhores competências linguísticas, melhor consciência social e maior compreensão cultural. A equipe queria saber se essas vantagens se estendiam ao alinhamento cérebro-cérebro.

A Experiência

Os pesquisadores monitoraram 15 pares bilíngues de mãe e filho usando fNIRS, uma técnica não invasiva que mede a atividade cerebral. As famílias realizaram três atividades: brincar juntas na sua língua nativa, brincar juntas em inglês e brincar separadamente atrás de uma tela. Os limites do fNIRS rastrearam a atividade no córtex pré-frontal (tomada de decisões, personalidade) e na junção temporoparietal (cognição social, linguagem).

Os resultados mostraram que a sincronia cerebral aumentou significativamente quando mães e filhos brincavam juntos, independentemente do idioma que usavam. Isto sugere que a conexão emocional não é prejudicada pela distância linguística. A sincronia foi mais forte no córtex pré-frontal, indicando função executiva compartilhada, enquanto mais fraca na junção temporoparietal.

Por que isso é importante

Esta descoberta desafia a percepção comum de que falantes de uma segunda língua experimentam distanciamento emocional. Embora seja verdade que alguns possam se sentir menos confortáveis ​​em expressar afeto ou disciplina em uma língua não nativa, o cérebro parece contornar essa barreira em um nível fundamental.

“O bilinguismo é por vezes visto como um desafio, mas pode trazer vantagens reais na vida. A nossa investigação mostra que crescer com mais do que uma língua também pode apoiar a comunicação e a aprendizagem saudáveis”, afirma Douglas Hartley, principal autor do estudo.

O estudo também sugere que as diferenças na forma como pais e filhos adquirem a linguagem (aprendizagem paralela precoce versus aquisição tardia) não negam o efeito de sincronia. Isto implica que a conexão cerebral central não depende de um alinhamento linguístico perfeito.

Pesquisa Futura

Os investigadores recomendam alargar o estudo para incluir famílias com diferentes níveis de fluência não-nativa e crianças que aprendem uma segunda língua mais tarde na vida. Explorar o papel dos sinais não-verbais, como contato visual e gestos, também é fundamental, assim como comparar a sincronia entre os pais e outras figuras, como professores ou estranhos. As conclusões do estudo sublinham que fortes laços emocionais podem transcender as barreiras linguísticas, confirmando que a comunicação eficaz depende de mais do que apenas palavras.